10 de março de 2014

Ode à literatura brasileira da minha estante

As palavras repetidas de Lygia Fagundes Telles são os meus pensamentos e medos. São retratos da angústia da juventude, ansiedade de ser e estar. Mas ou se é ou se está, não é Lena, não é Lia, Ana Turva e Lygia? As paisagens de Erico e toda a família Terra-Cambará resgatam uma saudade de tempos nunca vividos, mas presentes na memória herdada no nascimento. Herança que veio de muitas partes do mundo, mas hoje é essa aqui, uma só, as mãos abertas, fé. Eu sou todas as palavras escritas em território familiar, aconchegante, seguro nos anseios, brasileiro. Eu sou as mãos queimadas de Clarice a bater a máquina apoiada em seu colo que também me serviu de regaço. A felicidade sofrida do sertão de João Guimarães Rosa. Minha pele é jovem, por isso não desprezo as capas novas, a poesia quase cantada da Mata ou os dramas contemporâneos e a busca necessária da gaúcha Carol. Eu sou a confusão de dois rios e seus olhos árabes em terra carioca. Sou a leveza do bom velhinho Rubem Alves e as palavras trocadas de Leminski. Eu sou e estou, Lena, sou e estou. Nas entrelinhas.

Um comentário:

eu mesma disse...

Que belezinha, isso, maricota!