19 de outubro de 2009

Felipe e sua menina colorida

Saiu de casa cedo naquela manhã, passou na cozinha à procura de uma coisa que nem ele sabia o que era, acabou por pegar umas uvas que estavam em cima da mesa, e saiu. Tinha chovido de madrugada. Ruas molhadas, dia cinza. Ainda bem que depois de um quarteirão seu dia se iluminou. Ah, a menina era colorida até nos dias cinzas. Tinha aquela calma branca e o sorriso mais lindo que Felipe já vira. Sempre se encontravam no ponto do ônibus, uma pena era as linhas serem diferentes. Desde o começo das aulas o menino a olha, admirado, fica a pensar como é seu nome, para onde vai toda manhã, onde mora, qual é a sua idade, se tem ou não um cachorro. E nesse dia o menino de bochechas rosadas tomou coragem, ele falou "oi"para a jovem linda moça. Pode ouvir sua voz macia e sentir o fresco perfume do seu cabelo recém lavado quando chegou mais perto para ver se arranjava um assunto qualquer.O ônibus chegou nessa hora, e Felipe pensou em fingir que não vira e ficar ali, até a hora dela ir embora - quem sabe ganharia a promessa de a encontrar no dia seguinte. Mas tinha vergonha demais, logo fez sinal para seu transporte diário. Nesse dia o menino desejou bom dia ao motorista, ao cobrador a até para algumas senhoras que rumavam ao centro da cidade para a grande festa de inauguração do novo supermecado. A felicidade estava estampada em seu rosto. Já ganhara o dia! Estudou mais alegre naquela manhã, trabalhou mais empenhado naquela tarde e foi dormir cedo naquela noite, só para ver se sonhava com a sua menina colorida.

2 comentários:

. disse...

Sempre quando eu termino de ler seus textos, Mari, eu fico mais feliz depois. :)

v disse...

que bonitinho :)