10 de junho de 2011

O mal do mundo ou fragilidade ou raiva ou o guindaste sobre o carro

Hoje eu percebi que não posso suportar o mundo. Não aguento o peso do mal do mundo. Hoje eu, que achei que era tão forte para os acontecimentos cotidianos, me segurei para não chorar diante da luta diária do mundo. Mas é que dessa vez a máquina venceu o homem, a máquina destruiu a máquina que era do homem. E eu senti raiva. Fui embora daquele lugar, fui embora de mim mesma. Fui quase correndo e não me cansei. A temperatura cada vez mais baixa e eu não sentia frio. Talvez as pessoas com quem eu cruzei o caminho apressado pensaram, ao olhar para o meu rosto, que eu estava tendo um dia ruim. Mas meu dia estava sendo bom, até eu ouvir aquele barulho. O meu sentimento é que estava ruim. Eu estava impotente contra mim mesma. Não, não era raiva pelo guindaste ter caído em cima do carro do homem. Minha raiva era o meu egoísmo. Era raiva diante da minha fragilidade diante do mal acontecido. Quase chorei ao ver aquelas pessoas em volta do carro destruído. Na verdade chorei, um choro quieto, só meu, um que deixa meu rosto meio distorcido e deixa a mostra minha vontade de abrir o berreiro feito um bebê, sem ter que dar explicações. Nem teve feridos. Mas o mundo pesou naquela rua e eu não pude aguentar.

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