30 de novembro de 2009
Santa Mônica
Não tinha mais os cabelos soltos, hoje estavam presos. Vestia uma blusa roxa pouco bonita, porém mais moderna. Optou pelo caminho mais longo, por quê? Talvez pelo velho hábito. Assim como não deixou de lado o batom vermelho dos lábios carnudos. Não abandonou também o jeito de andar, reta, meio caindo para frente. De noite ficava no portão, esperando o namorado. Um sujeito esquisito que usava a camisa dentro da calça e penteava o cabelo pro lado e passava alguma coisa gosmenta e brilhante para que ficasse no lugar. Ela tinha tudo para ser boa moça, a família católica, um emprego bom, e até um namorado careta. Mas não. Ninguém sabia daquela vida vadia que a mulher loira levava. Depois do namorado lhe desejar boa noite com um beijo pouco excitante no portão, a mulher saía. Entregava seu corpo aos homens sujos com alianças douradas na mão esquerda por um lixo de dinheiro. E quando pegava aquelas notas encardidas de pecado não conseguia sequer guardá-las. A mulher sabia que aquilo não era dinheiro digno, pois o fruto do seu verdadeiro trabalho estava em casa, debaixo da caixa de costura que era onde guardava todo o salário que recebia por ser ajudante administrativa do escritório do Seu Romeu. O que os homens lhe davam era prazer, era aquele sentimento de culpa, de coisa errada que tanto lhe agradava. O dinheiro mesmo ela deixava debaixo da porta da Dona Ritinha, que tinha quatro filhos pequenos para criar e que pensava que era Santa Mônica que lhe ajudava. Não estava de todo errada, mas de santa, Mônica não tinha nada.
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4 comentários:
Amei MUITO esse texto. Foi muito bom, Mari.
eu arrepiei
tô arrepiando até agora!
ficou demais, mari.
Posso dizer que total morri com a história? O_O
MUITO BOA!
Vai ter concurso literário nacional de microcontos da Editora Guemanisse, vai dar uma olhada JÁ!
www.guemanisse.com.br
AH, que foda Mari. Adorei :D
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